terça-feira, 6 de maio de 2008

O sertão é dentro da gente

Diz-se, do sertão
que ele é
dentro da gente

naquelas áridas
paisagens
nas paragens
e lusco-fusco
dos saberes
no vazio
das certezas

resiste.
é chama
do fogo
das escolhas
da gente

quanto podemos aí,
capoeira
de tão pouco
enxergamento?

ninguém sabe

não sabia diadorim
não sabia riobaldo
não sabia o coisa-ruim

deus? talvez menos
pobre diabo - blasfemo

pra mim
tudo parece
prosa de quando

se garra chover destinos
- nítidos -
quanda a hora precisa,
desenhada
pros passos novos

hum! aqui.
mas se a chuva
vem do céu
caberia só espera
então?
esperança?

haveria em nós
um tempo de
ave de mau-agouro?
espreita
tocaia
fé no presságio?

vai tombada
à terra
a garrafa dos
nossos demônios?
necessários

na sombra
do capim-açu
d'onde dei pra
viver escondido
pensativo
amargoso,
penso que não

talvez seja a chuva
um desabrochar
da alma
vem de dentro:
fonte permanente
ali onde
se banham
verdades claras

sei não seu moço.
faço aqui
notas breves
contas de caderneta
silêncios
jeito de ajudar
a engolir os dias

e penso que perdi

perdi por aí
um resto
de ingenuidade
que 'inda carregava

não sei pois
se é triste
o enfadonho, sabe?

penso, mas
não sei se existo
isto é certeza
pra ingleses,
estes senhores

só não tenho força
pra atirar peneiras,
tampouco
tecer poemas
a moças-vaidosas

e são tantas, tão perto.

fica então
com este escorrido
de versos

vou te desejando
ingenuidades
desimportâncias
ilusões

daí a leitura.

este livro é parte
do presente.
mas também
ontem e amanhã:
Guimarães.
sertão
e fé.

a outra
sigo sendo eu.
e tudo que
não vejo ser

é...
verdade danada.
o sertão, seu moço
é dentro da gente


[você conhece a obra de João Guimarães Rosa?]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Guimar%C3%A3es_Rosa

2 comentários:

lia nasser disse...

pitada de sentido, pedacinho do profundo! Sem razão, sem utilidade, eita coisa deliciosa... Gosto demais delas, obrigada por compartilhar

Anônimo disse...

Leio sua poesia e fico besta.Dano a rascunhar besteiras piquiticas querendo o mesmo sabor impossivel dos seus versos nas minhas veredas: E se o sertão é dentro não há aqui um perder-se nas veredas.
O que viceja é o encontro do poeta com ele mesmo
traduzindo às vezes o “tinhoso”- às vezes Deus.
Difícil vencer o mal
impossível vencer o bem.
Afinal, a espada é o verbo
verbo que não fere
não tange
não mata.
E não há escolha entre dois caminhos impossíveis
Veredas inveredáveis.